Friday, 23 June 2023

«A verdade padece, mas não perece» S. Teresa de Ávila




DOMINGO XII DO TEMPO COMUM


L 1 Jr 20, 10-13; Sl 68 (69), 8-10. 14-15. 33-35
L 2 Rm 5, 12-15
Ev Mt 10, 26-33 

A liturgia da Palavra deste Domingo apresenta-nos a necessidade de viver na radicalidade da fé. Esta radicalidade não se deve porém apenas a uma extrema fortaleza humana; de facto, o evangelho dialoga com o coração humano e seu desejo de se sentir amado. É aí que vemos o apelo de Jesus a não termos medo, chamando-nos a viver da confiança em Deus, de acreditar que a nossa vida é conhecida e cuidada por Deus. 

O apelo do Evangelho é, com efeito, muito radical. Assenta na escuta da Palavra de Jesus, na relação pessoal com Ele para depois ser proclamada em alta voz e à luz do dia dos nossos dias. O maior medo e receio não são, diz-nos Cristo, as tribulações corporais; o medo que devemos ter - assim o diz o evangelho -  é sempre o de deixarmos morrer a alma, o espírito, perder a verdade que nos é derramada no coração, esquecer e amarfanhar a nossa única identidade pessoal, impedindo que por nós, a verdade de Cristo brilhe para todos, os de dentro e os de fora das comunidades cristãs. 

Assim o podíamos ouvir dos ecos de Jeremias, quando diante das perseguições, ele um dos profetas mais sofridos, se voltava para Deus e partilhava as suas dificuldades e exortava Deus a perscrutar a sua vida e todo o seu ser, "os rins e o coração", como quem diz, os seus desejos e sua inteligência. Admirável testemunho, de um homem que guarda a sua radicalidade e não permite que a sua luz se extinga!

É esta mesma luz que Cristo inaugura, e que Paulo sublinha como graça dada. Já não podemos ficar apenas na Lei, que nos diz os limites da nossa condição. Precisamos da Graça, dom absoluto do amor, que nos descobre e revela como testemunhas do Senhor. Só assim, por meio de nós, a luz de Cristo chega aos outros. Neste sentido, fazem sempre sentido as palavras de Teresa de Ávila: "A verdade padece, mas não perece". 

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