Thursday, 6 November 2025

Dedicação da Basílica de São João de Latrão

 


DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM
Dedicação da Basílica de Latrão – FESTA
L 1 Ez 47, 1-2. 8-9. 12; Sl 45, 2-3. 5-6. 8-9
L 2 1Cor 3, 9c-11. 16-17
Ev Jo 2, 13-22

 

A Igreja celebra neste domingo a festa da dedicação da Basílica de São João de Latrão, ou seja, a Igreja mãe de todas as Igrejas, tendo esta celebração se iniciado no século IV e depois se estendido a todas as igrejas do rito romano. Tal como cada diocese celebra a dedicação da sua catedral, celebramos a Igreja mãe de Roma.

Esta celebração ajuda-nos a celebrar a unidade da fé que une todos os crentes que recebem a salvação de Jesus Cristo.

 

Água viva de Cristo

A primeira leitura deste domingo apresenta-nos o episódio de Ezequiel e da água que sai do templo. Esta água que sai do templo é portadora de vida, pois vem de Deus. E, tratando-se de água vinda do templo, onde chega permite o crescimento das árvores e dos peixes. E são também fonte de bênção para os outros, nos seus frutos e nas suas folhas, que servem de alimento e remédio.

A imagem bíblica é riquíssima. Precisamos de receber de Deus, de deixar que a água do batismo nos purifique sempre e nos renove interiormente, que nos sare das divisões e dos muros que nos separam uns dos outros. Quem acolhe esta água e se deixa converter é também fonte de bênção para os outros e vive como templo de Deus, onde a paz é possível.

 

A Casa de Deus, a verdadeira fonte

O evangelho apresenta-nos o episódio de Jesus a expulsar os vendilhões do templo. A situação, que tantas vezes já havia sido vista por Jesus anteriormente, não pode ser entendida como apenas um acesso de fúria descontrolada, como se podia supor à primeira vista. Trata-se, em primeiro lugar, do que se chama a purificação do templo, de evidenciar que o templo não é casa de comércio, mas lugar de encontro da humanidade com Deus e casa de oração.

Este episódio revela-nos o desejo de Deus de se encontrar e acolher a humanidade, onde cada um, apesar da sua condição moral ou religiosa, tem lugar no coração de Deus.

As nossas igrejas têm, por isso, a missão de serem lugar de acolhimento e de abertura, onde não se negoceia a entrada das pessoas conforme a sua perfeição, mas onde somos chamados a ser sinais de Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro templo de Deus, a imagem visível de Deus para nós, que O contemplamos na Palavra e nos Sacramentos. Recebemos graça e amor de Deus e damos do que recebemos da graça e do amor de Deus. E, no que toca às relações, só podemos dar do que trazemos dentro.

 

Somos comunidade, pertencemos uns aos outros

Celebrar a dedicação da Basílica de São João de Latrão também nos mostra algo muito importante. Fazemos parte de uma comunidade muito alargada que partilha a mesma fé no Senhor Ressuscitado, ou seja, acreditamos que encontramos em Jesus Cristo a vida que vence a morte. E isto dá-nos sentido de pertença, mesmo com aqueles que não conhecemos, noutros pontos deste mundo.

Mas isso também nos aponta algo fundamental: nas nossas comunidades paroquiais pertencemos uns aos outros, e a Igreja é família de famílias. Como é importante reconhecermos a nossa união entre todos os que celebramos a mesma fé, independentemente do lugar físico onde a celebramos. Não são as paredes que nos unem, são os laços que nos unem uns aos outros e até ao Papa Leão. Que neste dia possamos sempre redescobrir a necessidade de construir a comunhão que existe entre todos aqueles que acreditam em Jesus Cristo.


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