DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM
Dedicação da Basílica de Latrão –
FESTA
L 1 Ez 47, 1-2. 8-9. 12; Sl 45, 2-3. 5-6. 8-9
L 2 1Cor 3, 9c-11. 16-17
Ev Jo 2, 13-22
A Igreja celebra neste domingo a festa da dedicação da Basílica de São
João de Latrão, ou seja, a Igreja mãe de todas as Igrejas, tendo esta
celebração se iniciado no século IV e depois se estendido a todas as igrejas do
rito romano. Tal como cada diocese celebra a dedicação da sua catedral,
celebramos a Igreja mãe de Roma.
Esta celebração ajuda-nos a celebrar a unidade da fé que une todos os
crentes que recebem a salvação de Jesus Cristo.
Água viva de Cristo
A primeira leitura deste domingo
apresenta-nos o episódio de Ezequiel e da água que sai do templo. Esta água que
sai do templo é portadora de vida, pois vem de Deus. E, tratando-se de água
vinda do templo, onde chega permite o crescimento das árvores e dos peixes. E
são também fonte de bênção para os outros, nos seus frutos e nas suas folhas,
que servem de alimento e remédio.
A imagem bíblica é riquíssima.
Precisamos de receber de Deus, de deixar que a água do batismo nos purifique
sempre e nos renove interiormente, que nos sare das divisões e dos muros que
nos separam uns dos outros. Quem acolhe esta água e se deixa converter é também
fonte de bênção para os outros e vive como templo de Deus, onde a paz é
possível.
A Casa de Deus, a verdadeira fonte
O evangelho apresenta-nos o
episódio de Jesus a expulsar os vendilhões do templo. A situação, que tantas
vezes já havia sido vista por Jesus anteriormente, não pode ser entendida como
apenas um acesso de fúria descontrolada, como se podia supor à primeira vista.
Trata-se, em primeiro lugar, do que se chama a purificação do templo, de
evidenciar que o templo não é casa de comércio, mas lugar de encontro da
humanidade com Deus e casa de oração.
Este episódio revela-nos o desejo
de Deus de se encontrar e acolher a humanidade, onde cada um, apesar da sua
condição moral ou religiosa, tem lugar no coração de Deus.
As nossas igrejas têm, por isso,
a missão de serem lugar de acolhimento e de abertura, onde não se negoceia a
entrada das pessoas conforme a sua perfeição, mas onde somos chamados a ser
sinais de Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro templo de Deus, a imagem visível de
Deus para nós, que O contemplamos na Palavra e nos Sacramentos. Recebemos graça
e amor de Deus e damos do que recebemos da graça e do amor de Deus. E, no que
toca às relações, só podemos dar do que trazemos dentro.
Somos comunidade, pertencemos uns aos outros
Celebrar a dedicação da Basílica de
São João de Latrão também nos mostra algo muito importante. Fazemos parte de
uma comunidade muito alargada que partilha a mesma fé no Senhor Ressuscitado,
ou seja, acreditamos que encontramos em Jesus Cristo a vida que vence a morte.
E isto dá-nos sentido de pertença, mesmo com aqueles que não conhecemos,
noutros pontos deste mundo.
Mas isso também nos aponta algo
fundamental: nas nossas comunidades paroquiais pertencemos uns aos outros, e a
Igreja é família de famílias. Como é importante reconhecermos a nossa união
entre todos os que celebramos a mesma fé, independentemente do lugar físico
onde a celebramos. Não são as paredes que nos unem, são os laços que nos unem
uns aos outros e até ao Papa Leão. Que neste dia possamos sempre redescobrir a
necessidade de construir a comunhão que existe entre todos aqueles que
acreditam em Jesus Cristo.
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