Friday, 28 November 2025

Despertos para o bem neste caminho do advento

DOMINGO I DO ADVENTO


L 1 Is 2, 1-5; Sl 121 (122), 1-2. 4-5. 6-7. 8-9
L 2 Rm 13, 11-14
Ev Mt 24, 37-44


Estamos a iniciar um novo tempo litúrgico que nos conduz à celebração do Natal, ao encontro de Deus que Se faz homem em Jesus Cristo. Este tempo, mais frio, é também um tempo de preparação.

1. Tempo de Advento

O Advento é este tempo favorável em que a Igreja nos convida a preparar o coração para a vinda do Senhor. É um tempo marcado pela expectativa, pela esperança que se reabre. Preparar-se para acolher Cristo é mais do que um gesto exterior: é criar dentro de nós a disponibilidade para Aquele que nos ama e deseja habitar connosco.

O Advento desperta em nós a atitude de quem diz: “Vem, Senhor”, e deixa que Ele encontre lugar. Mas que disponibilidade temos nós para os outros, quando tantas vezes andamos numa corrida constante — certamente com muitas coisas necessárias — e acabamos por não ver quem passa ao nosso lado? Estamos disponíveis para ser vistos e ver o irmão, ou deixamo-nos ficar num olhar fugidio e apressado, sem verdadeira atenção?

2. Acolher com o coração reconciliado

Deus vem sempre como Aquele que faz justiça — não para condenar, mas para restabelecer a harmonia entre os seus filhos. As palavras de Isaías continuam a apontar o caminho: “Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices.”

É um convite forte a olharmos para o que nos fere e para o que faz com que nós próprios ferimos os outros.
Quais são as palavras, atitudes ou silêncios que ainda precisam de ser curados?
Onde deixamos que a paz se esconda?
Que agressividades na nossa vida precisam de ser transformadas para entrarmos numa paz verdadeira — aquela que nasce da justiça, do perdão, e não da simples anestesia?

Só um coração reconciliado pode realmente acolher a vinda do Senhor. Só um coração em paz pode receber outro.

3. Não ficar na indiferença

Uma das grandes tentações do nosso tempo é a indiferença: deixar que tudo passe, como se nada fosse connosco. Mas o Advento é-nos dado como dom — dom de amor e, ao mesmo tempo, ocasião de verdade. A vinda final de Cristo não pretende assustar-nos, mas sim despertar-nos.

Vigiar não é viver inquieto ou ansioso; é viver acordado, atento, disponível, como quem espera Alguém que ama. O Senhor vem e deseja encontrar-nos de coração desperto. Isto é muito diferente daquela ansiedade que nos absorve e nos fecha sobre os perigos: vigiar é estar atento ao bem que está ao nosso alcance realizar.

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