DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
Terceira Missa
L 1 Is 25, 6a-7-9; Sl 22, 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 1Ts 4, 13-18
Ev Jo 6, 51-58
Celebramos hoje o dia de Todos os Fiéis Defuntos, depois de ontem termos celebrado a solenidade de Todos os Santos. Se ontem olhávamos para os santos como os que vivem plenamente em Deus, hoje voltamos o nosso olhar para os nossos irmãos defuntos — familiares, amigos, vizinhos, todos aqueles que amámos e continuam a habitar no coração de Deus.
É um dia de saudade, mas sobretudo de esperança. A fé cristã convida-nos a olhar a vida e a morte com os olhos da ressurreição, com a certeza de que o amor de Deus é mais forte do que a morte.
1. A esperança da vida cristã
Vivemos tempos em que muitos pensam que tudo termina na morte, como se a vida fosse apenas um ciclo natural que se apaga. Mas nós acreditamos que a morte não tem a última palavra. A esperança cristã é esta: fomos chamados à vida de Deus, e é Ele quem nos salva.
Deus salva-nos e não deixa que a morte turve a última palavra do amor.
São Paulo recorda-nos que “se com Ele morremos, com Ele também viveremos”. Por isso, o cristão vive de esperança — não de uma esperança vaga, mas da certeza de que a vida tem um horizonte maior. A fé mostra-nos que a vida não é interrompida, mas transformada.
2. A vida de Cristo dada por nós
A Eucaristia que celebramos é o centro desta esperança. O pão e o vinho tornam-se corpo e sangue de Cristo — vida dada, amor oferecido até ao fim.
Cada vez que participamos na Eucaristia, entramos nesse mistério de comunhão onde o céu e a terra se tocam.
É ali que o encontro com Deus se faz encontro com todos os irmãos, vivos e defuntos.
Cada vez que comungamos, tornamo-nos membros do Seu Corpo, e nessa comunhão a vida eterna começa já agora. É este o alimento que nos dá força para caminhar e para confiar que os que amamos vivem n’Ele.
3. Rezamos uns pelos outros
Hoje, ao rezarmos pelos fiéis defuntos, recordamos que a Igreja é comunhão. Não é apenas esta comunidade visível: é a grande família de Deus.
Fazem parte dela:
-
a Igreja peregrina, todos nós que ainda caminhamos, lutamos e procuramos viver o Evangelho;
a Igreja purgante, os que estão em purificação, a caminho da plenitude de Deus, e por quem rezamos;
e a Igreja triunfante, os que já vivem na presença de Deus, onde a caridade é absoluta, e que intercedem por nós.
Esta comunhão é o coração da fé cristã: ninguém caminha sozinho, ninguém se salva sozinho. A oração pelos defuntos é expressão da nossa fé num amor que não se apaga.
Conclusão
Celebrar os Fiéis Defuntos não é celebrar a morte, mas a vida que não tem fim.
Rezamos pelos nossos irmãos falecidos, mas também pedimos a graça de viver cada dia como quem se prepara para o encontro com Deus — com serenidade, verdade e confiança.
Que o Senhor nos conceda uma fé viva, que não se rende ao medo nem ao desânimo, mas que se apoia na esperança do Ressuscitado.
Ele é a vida que não morre e a luz que nunca se apaga.

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