Saturday, 15 November 2025

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»

 


DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM



L 1 Ml 3, 19-20a; Sl 97 (98), 5-6. 7-8. 9
L 2 2Ts 3, 7-12
Ev Lc 21, 5-19


O Evangelho deste domingo, quase no final do ano litúrgico, vai-nos despertando o coração e a mente para a meta da nossa vida: para onde caminhamos, para o encontro definitivo com Deus e para a última vinda de Jesus Cristo. Nos primeiros tempos da vida da Igreja pensava-se que a vinda de Jesus estava iminente e seria uma questão de poucos anos…

Esperança

Viver conscientes da nossa meta e do encontro definitivo com Deus pode ser vivido de duas maneiras: com medo do fim ou com a esperança do encontro. E não raras vezes, estas duas realidades coexistem dentro de nós. Mas é a esperança no bem e na vitória definitiva do amor que nos mobiliza a viver numa lógica de sonho e de colaboração na obra de Deus.

É isso que a primeira leitura nos permite vislumbrar: diante de uma comunidade desanimada de Jerusalém e sem grande fervor, onde o bem e o mal pareciam equivalentes, Deus anuncia que a sua vinda acontecerá; o mal será aniquilado e desaparecerá, enquanto o bem permanecerá para sempre e a justiça será instaurada. Por isso, o apelo à fidelidade é grande e transforma quem o vive — e transforma também o mundo. O dia da vinda do Senhor é ocasião para nos alegrarmos e não para nos assustarmos.

Não ficarmos pelas aparências

O Evangelho apresenta-nos Jesus, poucos dias antes da sua morte, em diálogo com aqueles que se maravilhavam com o aspeto do Templo e com as belas pedras que o compunham. Mas Jesus lembra que tudo passa — e o texto alude à destruição do Templo pelo império romano no ano 70.

No meio dos anúncios de desgraças e guerras, Jesus diz: «Tende cuidado, não vos deixeis enganar». O apelo de Jesus é claro: permanecer fiéis à verdade e recordar que Ele está connosco. É na fidelidade de todos os dias que se constrói e se vive a comunhão com Deus, mesmo no meio das contrariedades.

Sem medos, viver cada dia com dedicação e trabalho

A esperança, vivida assim, dá foco e não nos tira da realidade. São Paulo escreve aos cristãos de Tessalónica, com o cuidado de quem acompanha as comunidades por onde passou, e diz-lhes que a ociosidade não é caminho. Muitos da comunidade, convencidos de que tudo iria acabar em breve, deixaram de fazer algo de útil.

São Paulo exalta o valor do trabalho como oportunidade de contribuir para o bem dos outros e para o serviço. Quem pode trabalhar, deve trabalhar… e como dizia Paulo: quem não quiser trabalhar, que não coma! Ser cristão coloca-nos atentos e ao serviço, empenhando o nosso tempo e os nossos dons pelo bem comum.


O caminho da fé em Jesus Cristo dá-nos a esperança de que o bem é sempre mais forte do que o mal — mesmo no meio das dificuldades. E isso, longe de nos distrair, ajuda-nos a viver comprometidos com o dia-a-dia. Sem esperança, nada conseguimos fazer.




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