DOMINGO XXXIV DO TEMPO
COMUM
NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
L1: 2 Sam 5, 1-3; Sal 121 (122), 1-2. 3-4a. 4b-5
L2: Col 1, 12-20
Ev: Lc 23, 35-43
Introdução
Este Domingo final do
ano litúrgico volta o olhar para a Solenidade de Cristo-Rei, comemoração
promulgada pelo Papa Pio XI, em 1925, para convidar a um renovado testemunho
cristão num mundo em turbulência e desnorte, que acabaria por levar a uma
segunda Guerra Mundial. Não se trata, por isso, de um elogio da monarquia, mas
de colocar a condição de ser cristão como aquele que, pela sua forma de vida,
procura imitar Jesus Cristo. A soberania de Jesus é muito distinta da soberania
dos totalitarismos então vigentes: gera uma nova forma de vida e de sociedade,
onde a vingança, o ódio e os ressentimentos são curados pela força do amor —
amor a Deus, aos outros e até ao modo como lidamos com os bens materiais.
O lugar do Rei na Sagrada Escritura
O entendimento da figura
do rei na Bíblia é fundamental para compreendermos a realeza de Jesus. Ele
diz-se Rei, mas com um reino que não é deste mundo. A figura do rei no povo de
Israel é tardia. Vemos David, o rei escolhido por Deus para governar, isto é,
para cuidar do povo. Por isso, o rei em Israel nunca é quase divinizado, como
acontecia noutros povos. Também ele deve cumprir a Lei e viver segundo a aliança.
Para que este poder seja
justo e sábio, o rei precisa de cuidar da sua relação com Deus. Assim, o
verdadeiro poder que vem de Deus traduz-se em servir, em fazer o bem pelos
outros e com os outros.
A realeza de Jesus Cristo
A festa que hoje
celebramos, sendo criada no século XX, apresenta-nos Jesus Cristo como Rei. E
compreendemos que a realeza, na lógica bíblica, significa viver o poder como
capacidade de servir e edificar o mundo para um bem maior.
Cristo serve-nos a
todos. Ele não se salva a si mesmo, mas dá a sua vida na cruz por nós. Toda a
sua vida converge para a entrega total, onde o Senhor se revela como o Rei que
não procura salvar-se, mas salvar-nos a nós. No meio das injustiças e lutas humanas,
Cristo assume tudo e vence tudo com o amor.
Afastando-se da tentação
do “salva-te a ti mesmo” — tentação tão humana e tão compreensível —, Cristo
resgata-nos. É esta realidade que o “bom ladrão” reconhece: deixa-se tocar pela
bondade e pelo perdão de Deus que jorram da cruz. E é esta bondade que tem a
força de mudar os corações.
Precisamos de nos deixar
transformar no coração e na mente, nos hábitos e nas decisões do dia a dia,
pela entrega de Cristo. Sem isso, ficamos presos apenas à lógica de nos querermos
salvar a nós próprios. Que Cristo Rei alimente a nossa vida com a sua vida e
nos dê a capacidade de amar como Ele nos amou.
Conclusão
Peçamos ao Senhor que
abra o nosso coração ao Seu reinado de amor: um reinado que cura, que
reconcilia, que pacifica. Que, ao olhar para Cristo na cruz, encontremos a
coragem de viver cada dia com um coração mais disponível, mais livre e mais
capaz de servir. Que Ele nos ensine a transformar aquilo que tocamos com a
mesma misericórdia com que nos toca a nós. E assim, deixando que Cristo seja
Rei na nossa vida, possamos ajudar a construir um mundo mais fraterno, mais
justo e mais iluminado pelo Seu amor.

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