Thursday, 20 November 2025

Uma realeza de serviço

 


 

DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

L1: 2 Sam 5, 1-3; Sal 121 (122), 1-2. 3-4a. 4b-5
L2: Col 1, 12-20
Ev: Lc 23, 35-43 

 

Introdução

Este Domingo final do ano litúrgico volta o olhar para a Solenidade de Cristo-Rei, comemoração promulgada pelo Papa Pio XI, em 1925, para convidar a um renovado testemunho cristão num mundo em turbulência e desnorte, que acabaria por levar a uma segunda Guerra Mundial. Não se trata, por isso, de um elogio da monarquia, mas de colocar a condição de ser cristão como aquele que, pela sua forma de vida, procura imitar Jesus Cristo. A soberania de Jesus é muito distinta da soberania dos totalitarismos então vigentes: gera uma nova forma de vida e de sociedade, onde a vingança, o ódio e os ressentimentos são curados pela força do amor — amor a Deus, aos outros e até ao modo como lidamos com os bens materiais.

 

O lugar do Rei na Sagrada Escritura

O entendimento da figura do rei na Bíblia é fundamental para compreendermos a realeza de Jesus. Ele diz-se Rei, mas com um reino que não é deste mundo. A figura do rei no povo de Israel é tardia. Vemos David, o rei escolhido por Deus para governar, isto é, para cuidar do povo. Por isso, o rei em Israel nunca é quase divinizado, como acontecia noutros povos. Também ele deve cumprir a Lei e viver segundo a aliança.

Para que este poder seja justo e sábio, o rei precisa de cuidar da sua relação com Deus. Assim, o verdadeiro poder que vem de Deus traduz-se em servir, em fazer o bem pelos outros e com os outros.

 

A realeza de Jesus Cristo

A festa que hoje celebramos, sendo criada no século XX, apresenta-nos Jesus Cristo como Rei. E compreendemos que a realeza, na lógica bíblica, significa viver o poder como capacidade de servir e edificar o mundo para um bem maior.

Cristo serve-nos a todos. Ele não se salva a si mesmo, mas dá a sua vida na cruz por nós. Toda a sua vida converge para a entrega total, onde o Senhor se revela como o Rei que não procura salvar-se, mas salvar-nos a nós. No meio das injustiças e lutas humanas, Cristo assume tudo e vence tudo com o amor.

Afastando-se da tentação do “salva-te a ti mesmo” — tentação tão humana e tão compreensível —, Cristo resgata-nos. É esta realidade que o “bom ladrão” reconhece: deixa-se tocar pela bondade e pelo perdão de Deus que jorram da cruz. E é esta bondade que tem a força de mudar os corações.

Precisamos de nos deixar transformar no coração e na mente, nos hábitos e nas decisões do dia a dia, pela entrega de Cristo. Sem isso, ficamos presos apenas à lógica de nos querermos salvar a nós próprios. Que Cristo Rei alimente a nossa vida com a sua vida e nos dê a capacidade de amar como Ele nos amou.

 

Conclusão

Peçamos ao Senhor que abra o nosso coração ao Seu reinado de amor: um reinado que cura, que reconcilia, que pacifica. Que, ao olhar para Cristo na cruz, encontremos a coragem de viver cada dia com um coração mais disponível, mais livre e mais capaz de servir. Que Ele nos ensine a transformar aquilo que tocamos com a mesma misericórdia com que nos toca a nós. E assim, deixando que Cristo seja Rei na nossa vida, possamos ajudar a construir um mundo mais fraterno, mais justo e mais iluminado pelo Seu amor.

 

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