Saturday, 24 January 2026

A Palavra anunciada por Jesus

 


DOMINGO III DO TEMPO COMUM

ou Domingo da Palavra de Deus

L 1: Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27), 1. 4. 13-14
L 2: 1Cor 1, 10-13. 17
Ev: Mt 4, 12-23

Celebramos neste Domingo o Domingo da Palavra de Deus. A Palavra de Deus tem para nós um lugar central, porque é através dela que Deus Se revela à humanidade e Se deixa conhecer. É uma Palavra que precisa sempre de ser escutada, interpretada e rezada, mas que permanece um verdadeiro tesouro para a vida da Igreja e de cada cristão.

Neste contexto, a liturgia faz-nos escutar o início da missão pública de Jesus, logo após a prisão de João Batista. E é significativo que essa missão não comece em Jerusalém, no centro religioso do poder e da segurança, mas fora, nas periferias, junto dos últimos e dos mais afastados. É aí que Jesus inicia o seu caminho.

Assim vemos cumprir-se a profecia de Isaías, que anuncia um Deus que caminha em direção à Galileia dos gentios: um lugar misturado, marginal, pouco prestigiado. É ali que Deus decide fazer brilhar a sua luz. Isto diz-nos algo muito profundo: Deus não espera que as pessoas cheguem até Ele já prontas; é Ele que toma a iniciativa de ir ao encontro de quem vive nas margens da vida.

Jesus concretiza esta profecia. A libertação que Ele traz não é abstrata nem apenas espiritual. Começa com um apelo muito concreto: o arrependimento. Converter-se é deixar-se tocar por Deus, é permitir que o coração mude de direção, orientando-se para o bem, para a vida e para a verdade.

Mas esta não é uma missão de solitários. Jesus chama os primeiros discípulos, não apenas para os instruir, mas para caminharem com Ele, para entrarem em sintonia com a sua vida e com a sua missão. Chama-os a serem “pescadores de homens”, expressão que aponta para uma vitória sobre o mal e para a responsabilidade de serem sinal e esperança para aqueles que procuram um caminho novo. Todos precisamos de conversão.

A missão de Jesus põe-nos em caminho. Ele proclama o Evangelho, isto é, a Palavra que tem autoridade para libertar e para recentrar a vida no essencial. Trata-se sempre de redescobrir o verdadeiro centro da existência.

E aqui surge um risco muito atual: o de nos perdermos nas divisões, nas preferências ou nas figuras humanas. São Paulo, ao escrever à comunidade de Corinto, confrontada com divisões internas, é claro: o centro é apenas um — Cristo. A unidade não nasce de acordos humanos nem de estratégias, mas da conversão em Cristo. Só quando Cristo é o centro é que a comunidade encontra harmonia.

Também hoje esta Palavra nos interpela. Que imagem de Deus temos? Um Deus distante ou um Deus que vai às periferias? Um Deus que impõe ou um Deus que liberta? E na nossa vida pessoal e comunitária, o que ocupa verdadeiramente o centro: as nossas seguranças ou Cristo?

Que esta Palavra nos ajude a deixar-nos libertar por Jesus, a caminhar com Ele e a recentrar a nossa vida e a nossa comunidade naquele que é o verdadeiro centro: Jesus Cristo, Senhor da libertação e da vida nova.


No comments:

Post a Comment