DOMINGO III
DO TEMPO COMUM
ou Domingo da Palavra de Deus
L 1: Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27), 1. 4. 13-14
L 2: 1Cor 1, 10-13. 17
Ev: Mt 4, 12-23
Celebramos
neste Domingo o Domingo da Palavra de Deus. A Palavra de Deus tem para
nós um lugar central, porque é através dela que Deus Se revela à humanidade e
Se deixa conhecer. É uma Palavra que precisa sempre de ser escutada,
interpretada e rezada, mas que permanece um verdadeiro tesouro para a vida da
Igreja e de cada cristão.
Neste
contexto, a liturgia faz-nos escutar o início da missão pública de Jesus, logo
após a prisão de João Batista. E é significativo que essa missão não comece em
Jerusalém, no centro religioso do poder e da segurança, mas fora, nas
periferias, junto dos últimos e dos mais afastados. É aí que Jesus inicia o seu
caminho.
Assim
vemos cumprir-se a profecia de Isaías, que anuncia um Deus que caminha em
direção à Galileia dos gentios: um lugar misturado, marginal, pouco
prestigiado. É ali que Deus decide fazer brilhar a sua luz. Isto diz-nos algo
muito profundo: Deus não espera que as pessoas cheguem até Ele já prontas; é
Ele que toma a iniciativa de ir ao encontro de quem vive nas margens da vida.
Jesus
concretiza esta profecia. A libertação que Ele traz não é abstrata nem apenas
espiritual. Começa com um apelo muito concreto: o arrependimento. Converter-se
é deixar-se tocar por Deus, é permitir que o coração mude de direção,
orientando-se para o bem, para a vida e para a verdade.
Mas
esta não é uma missão de solitários. Jesus chama os primeiros discípulos, não
apenas para os instruir, mas para caminharem com Ele, para entrarem em sintonia
com a sua vida e com a sua missão. Chama-os a serem “pescadores de homens”,
expressão que aponta para uma vitória sobre o mal e para a responsabilidade de
serem sinal e esperança para aqueles que procuram um caminho novo. Todos
precisamos de conversão.
A
missão de Jesus põe-nos em caminho. Ele proclama o Evangelho, isto é, a Palavra
que tem autoridade para libertar e para recentrar a vida no essencial. Trata-se
sempre de redescobrir o verdadeiro centro da existência.
E
aqui surge um risco muito atual: o de nos perdermos nas divisões, nas
preferências ou nas figuras humanas. São Paulo, ao escrever à comunidade de
Corinto, confrontada com divisões internas, é claro: o centro é apenas um —
Cristo. A unidade não nasce de acordos humanos nem de estratégias, mas da
conversão em Cristo. Só quando Cristo é o centro é que a comunidade encontra
harmonia.
Também
hoje esta Palavra nos interpela. Que imagem de Deus temos? Um Deus distante ou
um Deus que vai às periferias? Um Deus que impõe ou um Deus que liberta? E na
nossa vida pessoal e comunitária, o que ocupa verdadeiramente o centro: as
nossas seguranças ou Cristo?
Que
esta Palavra nos ajude a deixar-nos libertar por Jesus, a caminhar com Ele e a
recentrar a nossa vida e a nossa comunidade naquele que é o verdadeiro centro: Jesus
Cristo, Senhor da libertação e da vida nova.
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