Friday, 9 January 2026

ser filhos no FIlho de Deus


 

DOMINGO: Batismo do Senhor – FESTA

L 1: Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29), 1-2. 3ac-4. 3b e 9b-10
L 2: At 10, 34-38
Ev: Mt 3, 13-17

 

Celebramos neste domingo a festa do Batismo do Senhor, que se torna uma ocasião para descobrirmos e aprofundarmos o sentido do nosso próprio batismo. A celebração do Batismo do Senhor identifica a sua missão como Filho de Deus e Messias, a qual ilumina a nossa própria condição de filhos de Deus. De facto, da palavra Cristo vem a palavra cristão, o que se traduz na nossa forma de estar e de viver.


1. Jesus não se coloca acima, mas ao lado

O primeiro ponto que nos revela o Batismo do Senhor é a sua forma de estar e de compreender a sua missão. Jesus causa espanto a João Batista, que reconhece que ele é que deveria ser batizado por Jesus. João anuncia um batismo de conversão e de penitência; o Senhor deixa-Se batizar por justiça, não por ser pecador, mas para Se associar e estar próximo dos pecadores.

Assim, Cristo não Se exalta a Si mesmo, nem Se apresenta como juiz implacável. Aproxima-se. E isto surpreende João Batista; pelo contrário, mostra-nos que a justiça de Deus é a salvação da pessoa humana: integrar e tornar parte aqueles que estavam longe e nas periferias. O Messias vem, como anuncia Isaías, sem violência, sem excluir, como luz das nações, para abrir os olhos aos cegos e libertar os que vivem nas trevas da vida.

Esta dimensão diz respeito a todos nós, pois cada pessoa é tocada pela graça de Deus. Todos precisamos de ser tocados pelo amor de Deus, pelo batismo que recebemos e permanece vivo em nós.


2. Somos filhos no Filho, habitados pelo Espírito.

O Batismo de Jesus aponta-nos também para a vida no Espírito Santo. Ele é revelado como Filho de Deus, ou seja, reconhece Deus como Pai. Este dado é de uma novidade marcante. Diz São João Crisóstomo: Deus só tem um Filho, o Verbo de Deus; e quando nós clamamos “Pai-Nosso”, Deus vê os filhos que a Ele clamam.
Os cristãos, aqueles que recebem a graça de Deus, são chamados a viver com o Espírito de Jesus Cristo, como pessoas que procuram a paz e a constroem. Para que haja paz, é necessária a justiça, sendo que isso implica dar a cada um o necessário e aquilo a que tem direito, não apenas nos bens materiais, mas também nos bens espirituais. E entre estes bens espirituais estão também os sacramentos.

 

3. O Batismo não é passado, é presença de Deus hoje.

Para nós, como filhos de Deus, o Batismo, como os demais sacramentos, é sinal da graça de Deus que age sobre nós. Assim acontece em cada sacramento. Assim nos recorda o Concílio Vaticano II:

«Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro — “O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz” — quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala quando se lê na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18,20).» (Sacrosanctum Concilium, 7).

Não se trata, por isso, de meros rituais que se repetem, mas da presença viva de Deus. Pelo Batismo tornamo-nos membros da Igreja e cada um dos outros sacramentos deriva do batismo, ou seja, de vivermos como filhos de Deus. E isso vai moldando a nossa capacidade de amar. Os sacramentos, e de modo especial o Batismo — que nos faz membros com igual dignidade no Corpo de Cristo — são sinais da presença de Deus nas situações mais limite da nossa existência.

Que o nosso Batismo seja sempre memória viva da fé que recebemos, pois é por ele que recebemos todos os demais sacramentos e nos tornamos cristãos, destinatários do amor de Deus. Que este não seja apenas uma memória do passado, mas uma graça viva que ilumina as nossas escolhas, sustém as nossas fragilidades e nos envia a estar próximos dos outros, especialmente dos que mais precisam.

E que, confiantes neste amor que nos precede e nos acompanha, possamos caminhar todos os dias como Igreja viva, habitada pela presença de Deus, até ao encontro pleno com Ele.


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