DOMINGO: Batismo do Senhor – FESTA
L 1: Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29), 1-2.
3ac-4. 3b e 9b-10
L 2: At 10, 34-38
Ev: Mt 3, 13-17
Celebramos
neste domingo a festa do Batismo do Senhor, que se torna uma ocasião para
descobrirmos e aprofundarmos o sentido do nosso próprio batismo. A celebração
do Batismo do Senhor identifica a sua missão como Filho de Deus e Messias, a
qual ilumina a nossa própria condição de filhos de Deus. De facto, da palavra
Cristo vem a palavra cristão, o que se traduz na nossa forma de estar e de
viver.
1. Jesus não se coloca acima, mas ao lado
O primeiro
ponto que nos revela o Batismo do Senhor é a sua forma de estar e de
compreender a sua missão. Jesus causa espanto a João Batista, que reconhece que
ele é que deveria ser batizado por Jesus. João anuncia um batismo de conversão
e de penitência; o Senhor deixa-Se batizar por justiça, não por ser pecador,
mas para Se associar e estar próximo dos pecadores.
Assim,
Cristo não Se exalta a Si mesmo, nem Se apresenta como juiz implacável. Aproxima-se.
E isto surpreende João Batista; pelo contrário, mostra-nos que a justiça de
Deus é a salvação da pessoa humana: integrar e tornar parte aqueles que estavam
longe e nas periferias. O Messias vem, como anuncia Isaías, sem violência, sem
excluir, como luz das nações, para abrir os olhos aos cegos e libertar os que
vivem nas trevas da vida.
Esta
dimensão diz respeito a todos nós, pois cada pessoa é tocada pela graça de
Deus. Todos precisamos de ser tocados pelo amor de Deus, pelo batismo que
recebemos e permanece vivo em nós.
2. Somos filhos no Filho, habitados pelo Espírito.
O Batismo de
Jesus aponta-nos também para a vida no Espírito Santo. Ele é revelado como
Filho de Deus, ou seja, reconhece Deus como Pai. Este dado é de uma novidade
marcante. Diz São João Crisóstomo: Deus só tem um Filho, o Verbo de Deus; e
quando nós clamamos “Pai-Nosso”, Deus vê os filhos que a Ele clamam.
Os cristãos, aqueles que recebem a graça de Deus, são chamados a viver com o
Espírito de Jesus Cristo, como pessoas que procuram a paz e a constroem. Para
que haja paz, é necessária a justiça, sendo que isso implica dar a cada um o
necessário e aquilo a que tem direito, não apenas nos bens materiais, mas
também nos bens espirituais. E entre estes bens espirituais estão também os
sacramentos.
3. O Batismo
não é passado, é presença de Deus hoje.
Para nós,
como filhos de Deus, o Batismo, como os demais sacramentos, é sinal da graça de
Deus que age sobre nós. Assim acontece em cada sacramento. Assim nos recorda o
Concílio Vaticano II:
«Para
realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua Igreja,
especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer
na pessoa do ministro — “O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o
mesmo que se ofereceu na Cruz” — quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas.
Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém
batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua Palavra, pois é Ele
que fala quando se lê na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim,
quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: “Onde estiverem dois ou três
reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18,20).» (Sacrosanctum Concilium, 7).
Não se
trata, por isso, de meros rituais que se repetem, mas da presença viva de Deus.
Pelo Batismo tornamo-nos membros da Igreja e cada um dos outros sacramentos
deriva do batismo, ou seja, de vivermos como filhos de Deus. E isso vai
moldando a nossa capacidade de amar. Os sacramentos, e de modo especial o
Batismo — que nos faz membros com igual dignidade no Corpo de Cristo — são
sinais da presença de Deus nas situações mais limite da nossa existência.
Que o nosso
Batismo seja sempre memória viva da fé que recebemos, pois é por ele que
recebemos todos os demais sacramentos e nos tornamos cristãos, destinatários do
amor de Deus. Que este não seja apenas uma memória do passado, mas uma graça
viva que ilumina as nossas escolhas, sustém as nossas fragilidades e nos envia
a estar próximos dos outros, especialmente dos que mais precisam.
E que,
confiantes neste amor que nos precede e nos acompanha, possamos caminhar todos
os dias como Igreja viva, habitada pela presença de Deus, até ao encontro pleno
com Ele.
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