Homilia na Solenidade do Dia de São
Vicente
22
de Janeiro 2026
Caros
irmãos e irmãs na fé,
Reunimo-nos
hoje, nesta solenidade de São Vicente, nosso padroeiro, Este é um momento
especial para toda a nossa paróquia, ao reconhecer no seu patrono um lugar de
unidade e de comunhão entre todos.
São
Vicente viveu no século IV e foi diácono da Igreja de Saragoça, e enfrentou o
martírio em 304 na sequência dos decretos de perseguição dos imperadores Diocleciano
e Maximiano. Vicente, tendo sido ordenado diácono, é preso e recusa velar o
sítio dos livros de culto e abjurar, como ordenava o decreto imperial, e assim
é levado para Valência para ser julgado. Recusou-se a trair a sua missão,
protegendo os livros sagrados e a fé da Igreja, mesmo sob as mais terríveis
torturas.
O
seu culto difundiu-se rapidamente e tornou-se uma dos mais importantes na Europa
de então passados poucos anos, depois da paz de Constantino, quando terminou a perseguição
violenta aos cristãos. Já Santo Agostinho o referia por volta ano 410, segundo
as palavras de um sermão seu: «Qual é hoje a região, qual a província, até onde
quer que se estenda tanto o império romano como o nome de Cristo, que não
rejubile por celebrar o dia consagrado a Vicente?» (Sermo" 276, PL 38,
1257).
O
seu culto e o facto de ser padroeiro de tantas terras e até da nossa capital portuguesa
aponta-nos precisamente essa mesma consciência e chamamento a dar testemunho de
Jesus Cristo. Mas a história portuguesa, descobre-nos um pormenor importante.
São Vicente era cristão não de rito latino, mas moçárabe, e após a batalha pela conquista da cidade de Lisboa aos
mouros e a violência existente, a figura de São Vicente torna-se precisamente um
ponto de reencontro entre os cristãos que já viviam na cidade de Lisboa e os da
reconquista cristã. Esta herança aponta-nos um dado importante. São Vicente é
motivo para as pessoas se aproximarem entre si, mesmo apesar das suas
diferenças.
Para nós comunidade paroquial da Branca, São
Vicente é dia de nos alegrarmos e voltar a redescobrir a nossa fé vive ligada à
fragilidade da vida, da correria do
dia-a-adia, e que trazemos este poder, como nos dizia São Paulo em vasos de barro
e não em vasos de ouro. Vivemos conscientes dos limites e das dificuldades, mas
com os olhos levantados no horizonte, para a meta de uma esperança que nos vem
de Jesus Cristo. A fragilidade da vida, as injustiças, as incompreensões ou
tantas outras dificuldades são, por vezes, muitas vezes duras de viver. Mas a
fé em Deus que nos ama dá-nos força e coragem de coração para não desanimar no
esforço e na criatividade de sonhar com Deus caminhos novos.
A isto se associa, na grande missão
evangelizadora da Igreja, da qual todos nós participamos com o nosso testemunho
– sendo que às vezes é necessário usar palavras, como referia São Francisco de
Assis – permito-me tomar as palavras de São Pedro da segunda leitura. Diante
das dificuldades, devemos guardar uma bopa consciência, e rescponder às razões
da nossa esperança, dos nossos esforços e entrega com brandura e respeito, ou
mais literalmente, com delicadeza e reverência e por não por sobrancenceria.
Isto permite-nos compreender que a fé não se
vive numa força de superioridade, mas de serviço, apoiados num compromisso
realizado, feito de uma perseverança que procura a confiança em Deus . Diante
das provas e das dificxuldades, Deus permanece connosco, diz-nos Jesus no
Evangelho, pela força do Espíritgo santo. E toda a missão e vida cristã se
apoiam assim.
Hoje a nossa comunidade paroquial vai
presenciar a tomada de compromisso de um renovado conselho económico. Uma
palavra de obrigado aos que exerceram o seu mandato no conselho económico
anterior, muitas vezes com grande esforço pessoal e que entre outras coisas
colaboraram no restauro dos altares da nossa igreja matriz.
Este novo conselho procura ser representativo
de toda a paróquia de São Vicente da Branca e assim inclui membros dos quatro
lugares de culto. Queremos caminhar no sentido de exercer bem a nossa missão, de
modo a que a pastoral possa ter os recursos necessários para o seu funcionamento,
e assim olhando para a renovação dos nossos lugares de culto e de ação
pastoral. A renovação do telhado da nossa igreja matriz e do salão paroquial, a
remodelação do adro e um funcionamento mais integrado entre todos os lugares de
culto são caminhos essenciais para o fortalecimento da nossa consciência paroquial.
Existem tensões e reconhecemo-las. Mas se permitis a alusão musical, as cordas
de um instrumento musical se estiverem com a tensão certa está afinado. Por
isso, mais do que as tensões que existam, mais importante é construir o diálogo
com brandura e respeito, onde a vida possa transparecer humildemente a Jesus Cristo.
Que a celebração do nosso padroeiro nos ajude
a caminhar na fé, a renovar a alegria cristã e o compromisso de darmos as razões
da fé de mãos dadas uns aos outros apoiados no Espírito de Deus.
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