Saturday, 24 January 2026

Homilia no dia de São Vicente

 


Homilia na Solenidade do Dia de São Vicente

22 de Janeiro 2026

 

Caros irmãos e irmãs na fé,

Reunimo-nos hoje, nesta solenidade de São Vicente, nosso padroeiro, Este é um momento especial para toda a nossa paróquia, ao reconhecer no seu patrono um lugar de unidade e de comunhão entre todos.

São Vicente viveu no século IV e foi diácono da Igreja de Saragoça, e enfrentou o martírio em 304 na sequência dos decretos de perseguição dos imperadores Diocleciano e Maximiano. Vicente, tendo sido ordenado diácono, é preso e recusa velar o sítio dos livros de culto e abjurar, como ordenava o decreto imperial, e assim é levado para Valência para ser julgado. Recusou-se a trair a sua missão, protegendo os livros sagrados e a fé da Igreja, mesmo sob as mais terríveis torturas.

O seu culto difundiu-se rapidamente e tornou-se uma dos mais importantes na Europa de então passados poucos anos, depois da paz de Constantino, quando terminou a perseguição violenta aos cristãos. Já Santo Agostinho o referia por volta ano 410, segundo as palavras de um sermão seu: «Qual é hoje a região, qual a província, até onde quer que se estenda tanto o império romano como o nome de Cristo, que não rejubile por celebrar o dia consagrado a Vicente?» (Sermo" 276, PL 38, 1257).

O seu culto e o facto de ser padroeiro de tantas terras e até da nossa capital portuguesa aponta-nos precisamente essa mesma consciência e chamamento a dar testemunho de Jesus Cristo. Mas a história portuguesa, descobre-nos um pormenor importante. São Vicente era cristão não de rito latino, mas moçárabe, e após a batalha pela conquista da cidade de Lisboa aos mouros e a violência existente, a figura de São Vicente torna-se precisamente um ponto de reencontro entre os cristãos que já viviam na cidade de Lisboa e os da reconquista cristã. Esta herança aponta-nos um dado importante. São Vicente é motivo para as pessoas se aproximarem entre si, mesmo apesar das suas diferenças.

Para nós comunidade paroquial da Branca, São Vicente é dia de nos alegrarmos e voltar a redescobrir a nossa fé vive ligada à fragilidade da vida, da correria do dia-a-adia, e que trazemos este poder, como nos dizia São Paulo em vasos de barro e não em vasos de ouro. Vivemos conscientes dos limites e das dificuldades, mas com os olhos levantados no horizonte, para a meta de uma esperança que nos vem de Jesus Cristo. A fragilidade da vida, as injustiças, as incompreensões ou tantas outras dificuldades são, por vezes, muitas vezes duras de viver. Mas a fé em Deus que nos ama dá-nos força e coragem de coração para não desanimar no esforço e na criatividade de sonhar com Deus caminhos novos.

A isto se associa, na grande missão evangelizadora da Igreja, da qual todos nós participamos com o nosso testemunho – sendo que às vezes é necessário usar palavras, como referia São Francisco de Assis – permito-me tomar as palavras de São Pedro da segunda leitura. Diante das dificuldades, devemos guardar uma bopa consciência, e rescponder às razões da nossa esperança, dos nossos esforços e entrega com brandura e respeito, ou mais literalmente, com delicadeza e reverência e por não por sobrancenceria.

Isto permite-nos compreender que a fé não se vive numa força de superioridade, mas de serviço, apoiados num compromisso realizado, feito de uma perseverança que procura a confiança em Deus . Diante das provas e das dificxuldades, Deus permanece connosco, diz-nos Jesus no Evangelho, pela força do Espíritgo santo. E toda a missão e vida cristã se apoiam assim.

 

Hoje a nossa comunidade paroquial vai presenciar a tomada de compromisso de um renovado conselho económico. Uma palavra de obrigado aos que exerceram o seu mandato no conselho económico anterior, muitas vezes com grande esforço pessoal e que entre outras coisas colaboraram no restauro dos altares da nossa igreja matriz.

Este novo conselho procura ser representativo de toda a paróquia de São Vicente da Branca e assim inclui membros dos quatro lugares de culto. Queremos caminhar no sentido de exercer bem a nossa missão, de modo a que a pastoral possa ter os recursos necessários para o seu funcionamento, e assim olhando para a renovação dos nossos lugares de culto e de ação pastoral. A renovação do telhado da nossa igreja matriz e do salão paroquial, a remodelação do adro e um funcionamento mais integrado entre todos os lugares de culto são caminhos essenciais para o fortalecimento da nossa consciência paroquial. Existem tensões e reconhecemo-las. Mas se permitis a alusão musical, as cordas de um instrumento musical se estiverem com a tensão certa está afinado. Por isso, mais do que as tensões que existam, mais importante é construir o diálogo com brandura e respeito, onde a vida possa transparecer humildemente a Jesus Cristo.

Que a celebração do nosso padroeiro nos ajude a caminhar na fé, a renovar a alegria cristã e o compromisso de darmos as razões da fé de mãos dadas uns aos outros apoiados no Espírito de Deus.

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