Saturday, 3 January 2026

Um Deus que orienta e atrai

 


DOMINGO EPIFANIA DO SENHOR – SOLENIDADE


L 1 Is 60, 1-6; Sal 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2 Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev Mt 2, 1-12 

A celebração da Epifania, no tempo do Natal, coloca diante de nós um dado fundamental da Encarnação de Cristo: Ele assume a nossa humanidade, e não apenas uma etnia ou uma determinada cultura. A Boa-Nova de Cristo é para todos, e estes Magos representam precisamente as várias nações e culturas da terra.

Universalidade.
A primeira leitura de Isaías revela-nos isso de modo claro, quando coloca Jerusalém como o lugar para onde convergem todos os povos. Esta chegada das nações, em espírito de paz e de louvor, faz emergir a alegria de acolher aqueles que são diferentes. Assim, a um povo escolhido juntam-se gentes de todas as línguas, com o louvor comum nos lábios e na vida: reconhecer o Deus da vida. São Paulo desenvolve ainda mais esta perspetiva e apresenta a salvação como dom oferecido a todos, sem distinção.

Procura da verdade.

Os Magos, de quem hoje ouvimos falar, são sinal desta humanidade que sai de si mesma para adorar o Menino Jesus. São eles que se dispõem a deixar as suas casas e os seus confortos, atentos a uma estrela que nasce no Oriente e indica o caminho para Belém. Esta estrela, já anunciada em profecia por Balaão, vem do Oriente, do lugar onde sempre nasce o sol, e detém-se sobre a nova Luz da humanidade: o presépio, espaço onde todos cabem — a Sagrada Família, os pastores e os Magos.

Reparemos que os Magos, embora não possuindo os conhecimentos teóricos da história de Israel, estão atentos à estrela e seguem-na. Bem diferente é a atitude dos sacerdotes de Israel, que conhecem toda a teologia, mas permanecem cegos aos sinais que apenas os que vêm de longe conseguem ver. Este é um drama não só de ontem, mas também de hoje. Fechados em certezas absolutas, corremos o risco de deixar de olhar para o Oriente e para o céu, para nos fixarmos em rotinas mortas ou em seguranças estéreis.

Mas, no mundo bíblico, a verdade não é apenas — nem nunca — uma ideia: é relação, é fidelidade, é caminho vivido.

A adoração.

São estes homens desprendidos que oferecem o presente mais precioso que têm para dar: adoram o Menino, ou seja, fazem emergir na sua vida e na sua boca todo o amor e ardor do coração a Deus. Adorar a Deus é reconhecer o amor recebido e manifestá-lo. Os presentes aqui enumerados dialogam com a vida de Cristo: o ouro, sinal da realeza; o incenso, sinal da divindade; e a mirra, prenúncio da morte.

No nosso caso, estes presentes são a nossa própria vida, os frutos e as ações que realizamos em cada dia, cuidando do bem mais precioso que nos foi confiado. E quem vive assim percorre caminhos novos, com a liberdade de quem se deixa conduzir por Deus e regressa por caminhos diferentes.

Assim, Jesus Cristo manifesta-se como luz que chama e atrai os de espírito inquieto; esta orienta, mas não obriga. Em Jesus, Deus revela-Se como misericórdia e amor incondicional, um Deus que caminha connosco, que nos procura mesmo quando nos afastamos e que nos convida a regressar por caminhos novos.

Que os Magos nos ajudem a manter o coração em procura, os olhos atentos aos sinais e a coragem de nos deixarmos conduzir por este Deus que se manifesta não no poder, mas na fragilidade de um Menino; não no medo, mas na confiança; não na imposição, mas no amor que salva.


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